quinta-feira, 31 de Dezembro de 2009

Era uma vez...



Havia uma vez uma ilha, onde viviam todos os sentimentos e valores do homem:
O Bom Humor, a Tristeza, a Sabedoria... como também todos os demais, inclusive o Amor.
Um dia anunciou-se aos sentimentos que a ilha iria submergir.
Então todos prepararam os seus barcos e partiram. Somente o Amor ficou esperando, até o último momento.
Quando a ilha estava a ponto de afundar, o Amor decidiu pedir ajuda.
A Riqueza passou perto do Amor em um barco luxuosíssimo e o Amor perguntou:
-Riqueza, podes levar-me contigo?
-"Não posso porque tenho muito ouro e prata dentro da barca e não há lugar para ti."
Então o Amor decidiu pedir ao Orgulho que estava a  passar numa magnífica barca,
-Orgulho te imploro, podes levar-me contigo?
-"Não posso levar-te, Amor" respondeu o Orgulho: “aqui tudo é perfeito e poderias arruinar a minha barca”.
Então o Amor perguntou à Tristeza que se aproximava:
-Tristeza peço-te, deixa-me ir contigo.
-"Oh Amor" respondeu a Tristeza, “estou tão triste que necessito estar sozinha”.
Em seguida o Bom Humor passou em frente ao Amor; mas estava tão contente que nem ouviu chamar
De repente uma voz disse:
-"Vem Amor, que  levo-te comigo“
Era um velho quem chamava o amor.
O Amor sentiu-se tão contente e cheio de alegria que se esqueceu de perguntar o nome do velho.
Quando chegou a terra firme, o velho foi-se embora.
O Amor deu-se conta do quanto lhe devia e perguntou à Sabedoria:
-Sabedoria, podes dizer-me quem me ajudou?”
-“Foi o Tempo” respondeu a Sabedoria.
-“O Tempo?" perguntou o Amor a si mesmo,“Por que será que o Tempo me ajudou?”.
A Sabedoria cheia de sabedoria respondeu:
“Porque só o Tempo é capaz de compreender o quanto o Amor é importante na vida”

quarta-feira, 30 de Dezembro de 2009

É Proibido



Jogos de Crianças -  PIETER BRUEGHEL (1525/30 - 1569)
pintor flamengo, quis fixar num único quadro todos os jogos infantis que conhecia. Muitos dos jogos que ele mostrou foram identificados. Olhando para o quadro identifique quantos brinquedos estão reproduzidos. Esta pintura é de 1560 e as crianças divertem-se com objectos simples: paus, chapéus, aros, entre outros


É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau-humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender os que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se
desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

Pablo Neruda



terça-feira, 29 de Dezembro de 2009

"A leitura de um bom livro é um diálogo incessante em que o livro fala e a alma responde.“





A Ana Paula no seu blogue Catharsis fala sobre 10 livros que não mudaram a sua vida. Eu tenho vários que mudaram a minha. A leitura sempre me acompanhou e faz parte de mim; nem consigo imaginar-me sem ler livros e muito menos sem os ter. 
Detesto emprestar livros, eles são um pedaço de mim, sobretudo porque a minha alma já dialogou com a história contida em cada livro.
Neste momento a minha alma dialoga com "Meia-noite ou o princípio do mundo" de Zimmler e nele estão contidos alguns parágrafos que me fazem parar e pensar: 

 "E foi assim que eu a a minha mãe fomos deixados sozinhos durante cerca de 2 meses e meio, até meados de Agosto. Gostaria de dizer que prosperamos juntos, mas através de um processo de alquimia desconhecido apenas por aqueles que foram deixados para trás pelos seus amados, transformámos tudo que poderia ter brilhado como ouro em chumbo do mais inferior."
"(...) E, embora naquele momento, estivesse a ser completamente sincero, iria esquecer a minha promessa nos anos que se seguiram. Como a maioria das crianças, eu vivia com os pés firmemente assentes no tempo presente e tinha tendência para deixar que mesmo as conversas mais importantes se desvanecessem no passado. Talvez isso fosse uma bênção".
"Eu sentia quase sempre um ardor de previlégio a aquecer-me bem fundo dentro de mim quando o  ouvia. Uma vez, quando lhe descrevi esta sensação, ele disse-me que, quando eu tinha estado a delirar com febre, ele me tinha feito engolir um pirilampo para acabar com os arrepios. O pirilampo ainda estava dentro de mim. Ele também abrigava um no seu interior e, quando os dois se encontravam, piscavam as luzes em sinal de reconhecimento".
Confesso que esta ultima passagem me lembrou o amor. No seu melhor...

Ler mais sobre o livro aqui




Ardendo de amor, as cigarras
cantam: mais belos porém
são os pirilampos, cujo mudo amor
lhes queima o corpo!
Herberto Helder


segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

Sobre a China, Copenhaga, Aeroporto de Lisboa e não só...

Bufa-a-bufa
China



sábado, 26 de Dezembro de 2009

“Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante”


A 14 de Agosto escrevi "Adoro o meu cão. Se o seu coração resistir ao Verão tenho a certeza que me acompanhará até ao Natal.";  a 15 de Agosto escrevia sobre Almondine .
O coração do meu cão chegou ao Natal mas foi a 26 de Dezembro que partiu. E, esta foi a noite mais longa de todas as noites como a estrela da tarde de Ary dos Santos.
Fazia frio e em mim ecoava a balada da Neve  de Augusto Gil
Estendi uma manta no chão da sala e dormi com ele. Ambos sabíamos que seria a sua última noite, estava tão cansado...e eu já sentia tanta saudade como no livro "O pequeno príncipe".
O que fez do meu cão um ser tão especial? foi o tempo que lhe dediquei, tenho a certeza "- Tenho de ir ter com a minha flor, percebes? Eu sou responsável por ela. Ela é tão fraca. E tão ingénua! Só tem quatro espinhos insignificantes para se defender de tudo...
Não sei se percebeu todas as minhas palavras de gratidão pela alegria, protecção e sentido que deu à minha vida. Sei que ali naquele chão, olhou para mim, abraçou-me, lambeu-me, empurrou-me, arrastou-se e foi para a sua cama. E eu ali fiquei chorando a   perda que se concretizaria horas depois. 
Hoje o dia é de saudade e dor mas também com a certeza de que o meu mundo fica mais pobre.
De um jeito canino o meu cão cantava-me:
Há sempre alguém que nos diz: tem cuidado
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco
Há sempre alguém que nos faz falta
Ahhh, saudade...
Mas Deus leva os que ama 
Só Deus tem os que mais ama...




FIEL - Guerra Junqueiro




Na luz do seu olhar tão lânguido, tão doce,

Havia o que quer que fosse
D’um íntimo desgosto :
Era um cão ordinário, um pobre cão vadio
Que não tinha coleira e não pagava imposto.
Acostumado ao vento e acostumado ao frio,
Percorria de noite os bairros da miséria
À busca dum jantar.
E ao ver surgir da lua a palidez etérea,
O velho cão uivava uma canção funérea,
Triste como a tristeza ossiânica do mar.
Quando a chuva era grande e o frio inclemente,
Ele ia-se abrigar às vezes nos portais ;
E mandando-o partir, partia humildemente,
Com a resignação nos olhos virginais.
Era tranquilo e bom como as pombinhas mansas ;
Nunca ladrou dum pobre à capa esfarrapada :
E, como não mordia as tímidas crianças,
As crianças então corriam-no a pedrada.
Uma vez casualmente, um mísero pintor
Um boémio, um sonhador,
Encontrara na rua o solitário cão ;
O artista era uma alma heróica e desgraçada,
Vivendo numa escura e pobre água furtada,
Onde sobrava o génio e onde faltava o pão.
Era desses que têm o rubro amor da glória,
O grande amor fatal,
Que umas vezes conduz às pompas da vitória,
E que outras vezes leva ao quarto do hospital.
E ao ver por sobre o lodo o magro cão plebeu,
Disse-lhe : - "O teu destino é quase igual ao meu :
Eu sou como tu és, um proletário roto,
Sem família, sem mãe, sem casa, sem abrigo ;
E quem sabe se em ti, ó velho cão de esgoto,
Eu não irei achar o meu primeiro amigo !..."
No céu azul brilhava a lua etérea e calma ;
E do rafeiro [1] vil no misterioso olhar
Via-se o desespero e ânsia d’uma alma,
Que está encarcerada, e sem poder falar.
O artista soube ler naquele olhar em brasa
A eloquente mudez dum grande coração ;
E disse-lhe : - "Fiel, partamos para casa :
Tu és o meu amigo, e eu sou o teu irmão. -"
E viveram depois assim por longos anos,
Companheiros leais, heróicos puritanos,
Dividindo igualmente as privações e as dores.
Quando o artista infeliz, exausto e miserável,
Sentia esmorecer o génio inquebrantável
Dos fortes lutadores ;
Quando até lhe acudiu às vezes a lembrança
Partir com uma bala a derradeira esp’rança,
Pôr um ponto final no seu destino atroz ;
Nesse instante do cão os olhos bons, serenos,
Murmura-lhe : - Eu sofro, e a gente sofre menos,
Quando se vê sofrer também alguém por nós.
Mas um dia a Fortuna, a deusa milionária,
Entrou-lhe pelo quarto, e disse alegremente :
"Um génio como tu, vivendo como um pária,
Agrilhoado da fome à lúgubre corrente !
Eu devia fazer-te há muito esta surpresa,
Eu devia ter vindo aqui p’ra te buscar ;
Mas moravas tão alto ! E digo-o com franqueza
Custava-me subir até ao sexto andar.
Acompanha-me ; a glória há de ajoelhar-te aos pés !..."
E foi ; e ao outro dia as bocas das Frinés
Abriram para ele um riso encantador ;
A glória deslumbrante iluminou-lhe a vida
Como bela alvorada esplêndida, nascida
A toques de clarim e a rufos de tambor !
Era feliz. O cão
Dormia na alcatifa à borda do seu leito,
E logo de manhã vinha beijar-lhe a mão,
Ganindo com um ar alegre e satisfeito.
Mas aí ! O dono ingrato, o ingrato companheiro,
Mergulhado em paixões, em gozos, em delícias,
Já pouco tolerava as festivas carícias
Do seu leal rafeiro.
Passou-se mais um tempo ; o cão, o desgraçado,
Já velho e no abandono,
Muitas vezes se viu batido e castigado
Pela simples razão de acompanhar seu dono.
Como andava nojento e lhe caíra o pelo,
Por fim o dono até sentia nojo ao vê-lo,
E mandava fechar-lhe a porta do salão.
Meteram-no depois num frio quarto escuro,
E davam-lhe a jantar um osso branco e duro,
Cuja carne servira aos dentes d’outro cão.
E ele era como um roto, ignóbil assassino,
Condenado à enxovia, aos ferros, às galés :
Se se punha a ganir, chorando o seu destino,
Os criados brutais davam-lhe pontapés.
Corroera-lhe o corpo a negra lepra infame.
Quando exibia ao sol as podridões obscenas,
Poisava-lhe no dorso o causticante enxame
Das moscas das gangrenas.
Até que um dia, enfim, sentindo-se morrer,
Disse "Não morrerei ainda sem o ver ;
A seus pés quero dar meu último gemido..."
Meteu-se-lhe no quarto, assim como um bandido.
E o artista ao entrar viu o rafeiro imundo,
E bradou com violência :
"Ainda por aqui o sórdido animal !
É preciso acabar com tanta impertinência,
Que esta besta está podre, e vai cheirando mal !"
E, pousando-lhe a mão cariciosamente,
Disse-lhe com um ar de muito bom amigo :
"Ó meu pobre Fiel, tão velho e tão doente,
Ainda que te custe anda daí comigo."
E partiram os dois. Tudo estava deserto.
A noite era sombria ; o cais ficava perto ;
E o velho condenado, o pobre lazarento,
Cheio de imensas mágoas
Sentiu junto de si um pressentimento
O fundo soluçar monótono das águas.
Compreendeu enfim! Tinha chegado à beira
Da corrente. E o pintor,
Agarrando uma pedra atou-lh’a na coleira,
Friamente cantando uma canção d’amor.
E o rafeiro sublime, impassível, sereno,
Lançava o grande olhar às negras trevas mudas
Com aquela amargura ideal do Nazareno
Recebendo na face o ósculo de Judas.
Dizia para si : "È o mesmo, pouco importa.
Cumprir o seu desejo é esse o meu dever :
Foi ele que me abriu um dia a sua porta :
Morrerei, se lhe dou com isso algum prazer."
Depois, subitamente
O artista arremessou o cão na água fria.
E ao dar-lhe o pontapé caiu-lhe na corrente
O gorro que trazia
Era uma saudosa, adorada lembrança
Outrora concedida
Pela mais caprichosa e mais gentil criança,
Que amara, como se ama uma só vez na vida.
E ao recolher à casa ele exclamava irado :
"E por causa do cão perdi o meu tesouro !
Andava bem melhor se o tinha envenenado !
Maldito seja o cão! Dava montanhas d’oiro,
Dava a riqueza, a glória, a existência, o futuro,
Para tornar a ver o precioso objecto,
Doce recordação daquele amor tão puro."
E deitou-se nervoso, alucinado, inquieto.
Não podia dormir.
Até nascer da manhã o vivido clarão,
Sentiu bater à porta ! Ergueu-se e foi abrir.
Recuou cheio de espanto : era o Fiel, o cão,
Que voltava arquejante, exânime, encharcado,
A tremer e a uivar no último estertor,
Caindo-lhe da boca, ao tombar fulminado,
O gorro do pintor !
poema daqui

quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Eis o mail de boas festas mais original...


A
todos
aqueles
que gostam
de dormir mas
que se levantam
sempre de bom humor.

Aos que saúdam com um
beijo.
Aos que trabalham muito
e se divertem mais ainda.
Aos que
conduzem com pressa mas não buzinam
nos semáforos.
Aos que chegam atrasados, mas
não inventam desculpas.
Aos que apagam a televisão
para uma boa cavaqueira.
Aos que são duplamente felizes,
fazendo só metade.
Aos que se levantam cedo para ajudarem um
Amigo.
Aos que vivem com o entusiasmo de uma criança e a sabedoria
de um adulto.
Àqueles que nunca desistem e acreditam na justiça. Aos que vêem o
mundo com os olhos da solidariedade.
Aos que sabem que o Amanhã nunca morre. Aos 
que
não
esperam
pelo
Natal
para
serem
melhores pessoas


terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Será isto um humano?




Morte de lontra origina queixa de ambientalistas
22.12.2009
Sara Picareta
O Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Santo André (CRASSA) apresentou uma queixa contra anónimos após terem sido conhecidos os resultados da causa da morte de uma lontra, encontrada num caixote do lixo em Beringel, distrito de Beja.
Os resultados indicam que a lontra morreu por “esmagamento de crânio e derramamento da massa cefálica”, disse ao PÚBLICO Dário Cardador, responsável do CRASSA, um dos três centros de recuperação de animais selvagnes geridos pela associação Quercus.
No início de Outubro, a lontra, baptizada Beringela por ter sido descoberta em Beringel, foi levada para o CRASSA, depois de este centro ter sido informado que este animal se encontrava preso numa reserva de caça, numa caixa para apanhar predadores. O CRASSA deslocou-se ao local e tratou das lesões da lontra, tendo depois procedido à sua libertação, não sem ntes lhe colocar às costas um dispositivo GPS, que recolhia informações de hora a hora.
Já no fim de Outubro, foi este mecanismo de vigilância que permitiu perceber que algo não estava bem. “Começaram a aparecer pontos de GPS dentro de uma casa numa vila”, explica Dário Cardador. A equipa do CRASSA deslocou-se ao sítio, em Beringel, sem imaginar o que tinha acontecido. “Julgávamos que ela tinha perdido a mochila com o equipamento GPS. E que alguém a tivesse levado para uma casa”.
No entanto, um outro sinal de GPS apontava para o contentor de lixo próximo da casa. Após terem revolvido os conteúdos que se encontram lá dentro, os membros do CRASSA encontraram a lontra morta. “A lontra não chegou a deslocar-se muito. Quando a libertámos foi também em Beringel, o mesmo sítio onde a encontrámos da primeira vez”, disse Dário Cardador.
Os procedimentos seguintes foram informar as Brigadas de GNR do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente e levar a lontra para a Universidade de Évora para serem apuradas as causas da morte. Por essa razão é que só hoje é apresentada formalmente a queixa contra anónimos, tendo sido fornecidos todos os dados acerca dos locais de onde foram emitidos os últimos sinais de GPS.

As prendas e os votos de Natal dos outros...



Do Rosmaninho da Serra

É ciência subir os Himalaias e criar matemática sem fim mas é cultura vê-la poesia e ter os Himalaias dentro de mim (Agostinho da Silva).
Da Ana Paula:


De Abril em diante

Da Si

Os meus  votos para todos vós...

Um pouco de trigo para fazerem uma "cearinha" e que todos os vossos votos se realizem, com ternura, serenidade e humildade.

Sê Homem!


Sê Homem!
Sê o homem que fores: nunca serás
aquele que no sonho te quiseste.
O fruto que se traz no pensamento
em outro se mudou se o colheste
Sê sempre um homem com os homens dentro:
a palavra que cales ou que dês
traga consigo, como tronco de árvore
a vertical firmeza do que és.
Ilídio Sardoeira

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Público - Um dia tramado no planeta

(...) Não ligo a TV, não me mostrem o jornal. As doenças novas têm nomes esquisitos; as velhas têm nomes assustadores. As primeiras chegaram e as segundas não desapareceram.

Os bancos rebentaram com a gente e deixaram-nos a recolher os nossos próprios restos. A Islândia já faliu, o Dubai não paga as dívidas, a Grécia está em apuros. Um em cada cinco espanhóis está desempregado.
Em Portugal, parece que o país está ingovernável (está sempre). Parece que a estabilidade governativa está em risco (como sempre) porque parece que Cavaco Silva disse qualquer coisa difícil de decifrar (e não diz sempre?). Numa visita aos "francisquinhos" (não perguntem), o Presidente da República gaguejou ao tentar dizer "inverno demográfico" e exprimiu, por causa de os portugueses não fazerem bebés, a preocupação que nunca lhe ouvi pelos portugueses que trabalham horários cada vez mais longos e desregulados. Neste Natal, vai haver gente a trabalhar 60 horas por semana e 14 no dia da consoada; não deixa muito tempo para os bebés. (...)

Público - Um dia tramado no planeta

Sol na vidraça



Há tanta sensação que não conheço,

tanto vibrar de nervos que não sinto;
e contudo parece que os pressinto,
apesar de ver bem que os desconheço.
A sensação que tem, à noite, o ar,
quando o orvalho o toca, em beijos de água,
é porventura, irmã daquela mágoa
que sente, quando chora, o meu olhar?
Tem, porventura, alguma semelhança
a sensação dum cravo numa trança,
com a ânsia de quem morre afogado?
E fico-me a pensar que sentirá
uma vidraça quando o sol lhe dá,
e a rasga a mão de luz, de lado a lado…

João Lúcio Pousão Pereira (n. a 4 de Jul 1880 em Olhão; m. 27 de Out. 1918)
in A Circulatura do Quadrado – Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004




sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Organismos internacionais, segundo Quino




quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Balanço de uma década




Quinta-feira, 17 de Dez de 2009

O primeiro facto saliente acerca da década que agora termina é a resistência que oferece a quem pretenda referir-se a ela. Os anos sessenta são fáceis de designar, assim como os anos setenta ou oitenta, mas "os anos zero" é uma expressão que está ainda à espera de ser cunhada - talvez por ser estranha e, além do mais, imprecisa. Acabamos, portanto, de viver dez anos que não conseguimos denominar. Há males que vêm por bem: quanto menos nos lembrarmos destes dez anos, melhor. Não pode dizer-se que tenha sido uma década memorável. Foram dez anos que começaram, aliás, sob o signo da desilusão: o mundo não acabou no ano 2000, o que frustrou de igual modo os bruxos e aquela gente apreciadora dos grandes eventos. Os americanos bem tentaram, elegendo George Bush logo no primeiro ano da década, e deve reconhecer-se ele fez um esforço notável, mas, como em quase tudo o resto, fracassou.
Outra desilusão, talvez maior ainda, foi provocada pelos escritores de ficção científica. Anos e anos a escreverem sobre o século XXI, que afinal é igualzinho ao século XX mas com mais telemóveis. O tamanho do nosso crânio não aumentou, não vestimos todos de igual, não viajamos em naves. O futuro chegou e, não há como negá-lo, é aborrecido. Não só não viajamos em naves como passou a ser mais difícil viajar de avião. As viagens aéreas, que a ficção científica previa cada vez mais sofisticadas e rápidas, por causa dos atentados de 11 de Setembro de 2001 tornaram-se bastante mais lentas e rudimentares. Em lugar de homens do futuro que entram em naves rodeados de fumo e munidos de aparelhos altamente tecnológicos, somos homens do passado que entram nos aviões descalços, sem o cinto das calças e impedidos de levar até uma garrafa de água.
Entretanto, nem tudo são más notícias: a justiça portuguesa aproximou-se do nível da justiça internacional. Não, evidentemente, por ser ter tornado mais rápida, mas porque a justiça internacional se tornou vagarosa. Milosevic e Pinochet foram julgados por crimes contra a humanidade, tendo falecido antes de conhecerem o veredicto. Se pensarmos que Pinochet morreu com 91 anos, o processo Casa Pia deixa de parecer tão demorado, embora tenha ocupado sete anos desta década e ameace ocupar vários da próxima.
Após a intervenção americana no Iraque, Saddam Hussein foi democraticamente executado por um grupo de alegres convivas. Pareceu apropriado que, tendo a guerra sido feita a pretexto de armas de destruição maciça imaginárias, a democracia imposta fosse, também ela, pouco mais que uma fantasia. O enforcamento foi filmado pelo telemóvel de um dos carrascos e colocado no YouTube. Foi dos filmes mais vistos do ano, juntamente com um em que dois gatinhos brincam com um novelo.
Na internet, o aparecimento das redes Hi5, Facebook, Orkut e Twitter, entre outras, permitem que pessoas com pouco jeito para fazer amigos na vida real consigam fazê-los no computador, e que as pessoas com pouco jeito para fazer amigos na vida real e no computador critiquem duramente este tipo de rede. O aparecimento da Wikipedia, uma enciclopédia feita por gente que não domina especialmente qualquer área do saber, deu ao cidadão comum a satisfação de sentir que os seus conhecimentos são, muitas vezes, superiores aos dos enciclopedistas. Nas entradas da Wikipedia que utilizei para fazer este balanço da década, o ano de 2003 tem mais datas referentes a aspectos relacionados com os concorrentes do concurso Operação Triunfo do que, por exemplo, aos aspectos da economia mundial.
Um negro foi eleito pela primeira vez presidente da Harvard Law Review. Um negro candidatou-se pela primeira vez à presidência dos Estados Unidos. Um negro venceu pela primeira vez as eleições americanas. Infelizmente, foi sempre o mesmo negro. Continuamos sem saber bem se os Estados Unidos e o mundo resolveram parar de discriminar os negros ou só este em particular.
Em Portugal, José Sócrates foi eleito pela primeira vez a 20 de Fevereiro de 2005 e começou desde essa data a vestir cada vez melhor e a governar cada vez pior. No entanto, uma vez que sucedeu a Pedro Santana Lopes, durante uns meses chegou mesmo a parecer um bom primeiro-ministro. Nos primeiros cinco minutos do mandato, o nome de José Sócrates não apareceu associado a qualquer escândalo.
No futebol, num certo sentido a década foi dominada por Portugal: José Mourinho emergiu como o melhor treinador da actualidade e Cristiano Ronaldo sagrou-se melhor jogador do mundo. Os portugueses impõem-se cada vez mais no futebol mundial e cada vez menos na selecção nacional.
E, até agora, foi mais ou menos isto que se passou. Mas tenho esperança de que, nos 15 dias que lhe sobram, a década ainda consiga dar a volta por cima.
Ricardo Araújo, Visão, 17/12/2009


quarta-feira, 16 de Dezembro de 2009

Rosa minha irmã Rosa


Hoje de manhã, presa na fila, mais densa que o habitual devido  a um acidente, fui ouvindo a Antena 2.
Além da música e das crónicas do Malaquias, a entrevista a Alice Vieira lembrou-me o seu 1º livro "Rosa minha irmã Rosa".
Mariana, filha única, tem dez anos quando Rosa nasce. Agora vai partilhar tudo com a irmã: o quarto, o tempo dos pais, o afecto da família — incluindo a Avó Elisa que desconfia do progresso, e a Tia Magda, que tem um dente de ouro, uma fala que mete medo e só gosta de estrelícias e antúrios. Mas pelo menos a recordação da Avó Lídia e a amizade de Rita ela não quer dividir com mais ninguém. Será que Rosa vai continuar a ser «uma intrusa»?
Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura para leitura autónoma e/ou com apoio do professor ou dos pais no 3.º ano de escolaridade

A entrevista encantou-me e veio confirmar a minha ideia sobre a escritora: uma mulher espectacular.
e porque ela falou nesta música de Adriana Calcanhoto, aqui ficam as duas:





Nicky

E a Nicky fez-me chorar...

No dia 22 de Outubro, uma voluntária da Animais de Rua passava numa rua de Gondomar quando ouviu um miar aflitivo. Olhou para o lado e viu a Nicky no passeio, junto à entrada de uma casa, no estado em que podem ver nas fotos e vídeo. Após indagar pela vizinhança, a voluntária soube que a Nicky estava já ferida na rua há bastante tempo e todos os dias miava desalmadamente a pedir ajuda, mas encontrou apenas indiferença nas muitas pessoas que ao longo deste tempo a viram neste sofrimento e olharam para o lado. A Nicky foi de imediato levada para uma clínica veterinária, onde se encontra neste momento internada e onde já foi esterilizada, submetida a uma cirurgia a um dos olhos e sutura da enorme ferida que tem. Apesar de tudo o que sofreu, é uma gatinha incrivelmente meiga e corajosa, que não parou de amassar com as patinhas e pedir festas durante a consulta veterinária. A Nicky é apenas um exemplo das centenas de milhares de animais que padecem sofrimentos terríveis nas ruas de Portugal, sem acesso a alimentação, cuidados de saúde básicos, sem o mínimo de conforto e de afecto. E em troca, não oferece revolta nem rancor, apenas gratidão por alguém ter, finalmente, atendido ao seu pedido de ajuda.
Ajude-nos a dar um final feliz à história da Nicky: ela precisa muito de uma FAT onde possa recuperar, e sobretudo de uma família definitiva que lhe proporcione uma vida segura e feliz. Precisa também de padrinhos de tratamento que ajudem a suportar a despesa veterinária, que ascende já aos 250€.
 
Associação Animais de Rua — Esterilização e Protecção de Animais em Risco
http://www.animaisderua.org/
geral@animaisderua.org
A Nicky quando foi capturada







A Nicky no veterinário

A Nicky em recuperação numa FAT


A nicky já foi adoptada!

terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Campanha Esterilização Cães e Gatos



Amigos(as)


O projecto das obras do Canil/Gatil Municipal está aberto à votação, no site da Câmara Municipal de Lisboa, até dia 20 de Dezembro ( próximo domingo). http://www.cm-lisboa.pt/?idc=525 . Tem de se registar. Depois de ter votado recebe um e-mail a confirmar a votação.
São mais de 100 projectos e os mais votados serão incluidos no Orçamento de 2010.
As condições em que a maioria dos animais está detida no canil de Lisboa são vergonhosas ( ler em http://campanhaesterilizacaoanimal.wordpress.com/distrito-lisboa-l-o/ )
Fruto dessas condições, grassam as doenças que vitimam, por exemplo, 40% dos gatos que lá dão entrada.
O nosso objectivo é acabarmos com a sobrepopulação de animais e com o abandono que daí deriva e, por conseguinte, com os próprios canis, mas enquanto não o conseguimos é imperioso que os canis garantam aos pobres animais que lá entram o mínimo de bem estar e de salubridade.

VOTE !
Divulgue às suas mailings, ponha nos sites que costuma visitar, os animais abandonados de Lisboa precisam da conjugação de esforços de todos os seus amigos!
Campanha de Esterilização de Animais Abandonados

segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

O menino que consertou o mundo


Clique para aumentar...

domingo, 13 de Dezembro de 2009

Concertos de Natal


Imagem:
13 de Dezembro às 16h
Igreja da Graça| Largo da Graça
Coro Regina Coeli de Lisboa, Coro da Câmara da Escola Superior de Música de Lisboa, Coro do Instituto Piaget, Orquestra Filarmonia das Beiras, Hélia Castro (soprano)
António Lourenço, direcção
Felix Mendelssohn( 1809-1847) - Verleih uns Frieden
Felix Mendelssohn (1809-1847) - Salmo 42
Leonard Bernstein (1918-1990) - Chichester Psalms

18 de Dezembro às 21h30

Basílica da Estrela| Praça da Estrela |213 960 915
Camerata da Orquestra Sinfónica Juvenil
Christopher Bochmann, direcção
A Corelli (1653-1713)
Concerto Grosso em Sol Maior (Concerto de Natal)
Vivace - Grave - Allegro
Adágio - Allegro - Adágio - Vivave
Allegro
Largo

Mozart - Eine kleine Nachtmusik, Allegro, Romanze (Andante), Menuetto (Allegretto), Rondo (Allegro)
Mozart - Divertimento em Ré Maior, Allegro, Andante, Presto
Bach - Ária da Suite nº. 3
Bochmann - Ária

Reger - Ária Op. 103

Purcell - Chaconne em Sol menor

19 de Dezembro às 16h

Igreja da Memória | Largo da Memória - 213 635 295
Alunos da Escola de Música do Conservatório Nacional
Musaico (ensemble vocal) / Pequenos cantores

Tiago Marques, direcção
No Espírito do Natal
Canções alusivas à quadra natalícia

20 de Dezembro às 16h
Igreja de São Domingos - Largo de São Domingos - 213 428 275
Grupo Shout e Mafalda Arnauth (convidada especial)
Agnus Dei
A Star is Born
Silent Night
Joyful
Only a Man
Joy to the World
Para Maria - c/ Mafalda Arnauth
Pai Nosso - c/ Mafalda Arnauth
Holy
My Life is in Your Hands
Living Word
Perfect & True

 Entrada livre
Info: 218 170 600 (Divisão de Programação e Divulgação Cultural)

 informações daqui


sábado, 12 de Dezembro de 2009

Cada português consome 1,4 quilos de chocolate por ano

 Cada português come 1,4 quilos de chocolate por ano
"Cada português consome 1,4 quilos de chocolate por ano, quase três vezes menos que um espanhol (3,8 quilogramas), indicam dados recolhidos pela agência Lusa junto da associação do sector.
Portugal, quando comparado com os restantes países da União Europeia, é daqueles que consome menos chocolate, enquanto cada europeu se delicia, em média, com 5,4 quilos por ano.
Já cada alemão consome 11,4 quilos de chocolate por ano, um irlandês consome, em média, 12,4 quilos e um inglês situa-se entre os 10 a 12 quilos por ano.
Cada polaco consome 4 quilos anualmente, mas já um eslovaco vai um pouco além, chegando aos 4,7 quilogramas anuais, segundo dados da ACHOC - Associação dos Industriais de Chocolates e Confeitaria.
Os portugueses elegem sobretudo o Natal e a Páscoa para degustar este alimento, mas o hábito do chocolate como presente em épocas festivas está a mudar para ser cada vez mais considerado como alimento.
A Suíça, bem como alguns dos países nórdicos, são os grandes consumidores da União Europeia.
Actualmente, o consumo interno português representa um total de 12,5 mil toneladas de chocolate, do qual cerca de 20 por cento é de produção nacional, fabricados sobretudo por duas empresas portuguesas de referência, a Imperial e a Vianense."
Informação daqui

Confesso que devo estar muito próximo deste valor. Hoje mesmo vou fazer para o lanche o verdadeiro Chocolate quente...



sexta-feira, 11 de Dezembro de 2009

Às vezes sabe bem...

Recebi hoje de manhã.
Flores e  música. Às vezes sabe bem...



quarta-feira, 9 de Dezembro de 2009

Procura-se



Olá, o meu cão já desapareceu de casa há 6 dias, na zona de cheleiros/carvalhal em Mafra, mas durante este tempo já pode ter percorrido imensos km, o meu rick é epiléctico e necessita de medicação diária e julgo que pode estar muito desorientado.

é todo branco, sem raça definida, porte grande, cerca de 40kg, usava uma coleira tipo corrente com a gravação do contacto do dono e o nome. Está castrado.

Qualquer ajuda é bem vinda, peço que se encontrarem ou tiverem qualquer tipo de informação liguem para o 91 902 02 45

Muito obrigada

Brígida Machado

A parábola do cavalo e do porco




Hoje estou por casa... é o que dá!

Um fazendeiro colecionava cavalos e só faltava uma determinada raça. Um dia ele descobriu que seu vizinho tinha este determinado cavalo. Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo. Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário que disse:
- Bem, seu cavalo está com uma virose, é preciso tomar este medicamento durante três dias. No 3º dia eu retornarei e caso ele não esteja melhor será necessário sacrificá-lo.
Neste momento, o porco escutava a conversa.
No dia seguinte, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo e disse:
-Força amigo, levanta daí senão será sacrificado!!!.
No segundo dia, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou novamente e disse:
- Vamos lá amigo, levanta senão você vai morrer! Vamos lá, eu te ajudo a levantar.
Upa! Um, dois, três...
No terceiro dia, deram o medicamento e o veterinário disse:
- Infelizmente vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.
Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse:
- Amigo, é agora ou nunca! Levanta logo, upa! Coragem! Vamos, vamos! Upa! Upa! Isso, devagar! Boa, vamos, um, dois, três, vai,boa, agora mais depressa, vai....fantástico! Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa! Você venceu campeão!!!.
Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou:
- Milagre!!! O cavalo melhorou, isso merece uma festa!Vamos matar o porco!.

SABER VIVER SEM SER RECONHECIDO É UMA ARTE!
 Se algum dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se: amadores construíram a Arca de Noé e profissionais o Titanic.

PROCURE SER UMA PESSOA DE VALOR, AO INVÉS DE UMA PESSOA DE SUCESSO!

Quando estiverem desanimados lembrem-se do PORCO !
Recebido por e-mail, sem identificação do autor

terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

De impossíveis a … utopias:


"Ela está no horizonte. Avanço dois passos e ela afasta-se dois passos.

Avanço dez passos e o horizonte distancia-se de mim dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei.
Para que serve então a utopia?
Para isso mesmo: para que eu não deixe de caminhar."
(Eduardo Galeano)




Nota: o rouxinol (nightingale) é uma ave solitária, bastante difícil de se ver. É um excelente cantor que canta normalmente escondido. Fica quase sempre oculto pela vegetação e é normalmente ouvido depois do escurecer, sendo um dos poucos pássaros a cantar à noite, mas também se ouve com frequência durante o dia.

segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Campanha de Recolha de Brinquedos Usados "Lixo ou Luxo"


Divulgo esta iniciativa da Almargem:


A época Natalícia, da qual nos aproximamos, está a tornar-se cada vez mais na época do “consumo desenfreado”. Torna-se urgente mudar mentalidades e atitudes. São muitas as crianças que recebem dezenas de brinquedos embrulhados em papel e no dia que sucede a consoada a quantidade de papel que se vê aglomerado junto dos contentores do lixo é deveras assustadora. Mas nem todas as crianças vivem esta realidade, um grande número não recebe nenhuma prenda. 
Para tentar dar oportunidade a algumas crianças do concelho de Loulé, a Associação Almargem organiza uma campanha de recolha de brinquedos usados, intitulada “Lixo ou Luxo” pois por vezes, o que é Lixo para alguns é na verdade Luxo para outros! 
O Continente de Loulé apoia esta iniciativa, como tal será nas suas instalações que ela vai decorrer. De 14 a 22 de Dezembro, das 10h30 às 12h30 e das 17h às 20h estarão voluntários da Associação Almargem em frente ao balcão de acolhimento do hipermercado para receber os brinquedos. 
As instituições beneficiárias dos brinquedos angariados são: Casa de Acolhimento da Casa da Primeira Infância; Associação Existir e Fundação António Aleixo. 
Os brinquedos serão entregues nas 3 instituições no dia 23 de Dezembro pela manhã. 
Neste Natal vamos dar a oportunidade de fazer mais crianças felizes. Ofereça um brinquedo usado!

Para mais informações contactar: asantos@almargem.org ou 960295202

domingo, 6 de Dezembro de 2009

As filas, eu e os outros


Tal como  a maior parte dos comuns mortais todos os dias apanho fila já que não me safo aos movimentos pendulares.
Todos os dias no regresso a casa ainda mal tenho atravessado o portão do serviço e já estou em fila. Ora eu sei que para o meu destino há uma só faixa, então é aí que me coloco e a passo de caracol no tão desinteressante percurso lá venho acompanhada da Antena 2.
Onde é que quero chegar? vou já lá direito antes que vocês se vão embora, dado o fraco interesse do post.
O que mais me irrita é ver que é cada vez maior o número de condutores que vêm a acelerar na faixa do lado, cujo trânsito é insignificante, e sem mais nem menos acham por bem meter-se ali mesmo naquela fila, a única que dará  acesso ao local a que se destinam.
Todos os dias me questiono: mas esta gente gosta de fazer dos outros tolos? alguns até agradecem. E confesso que ainda me irritam mais. Porquê? dirão vocês.
Eles acenam num gesto de agradecimento e eu  - mau feitio - interpreto "obrigadinho pá por seres trouxa e vires aí na fila todo este tempo - 40m para 5km - eu nem 10 minutos e agora ainda passo à tua frente".
Será que esta gente não se enxerga?

sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

O Desejo...



Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afectos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.
Victor Hugo – França – *1802 +1885

quinta-feira, 3 de Dezembro de 2009

A carta...



Lembra-se das orações de criança: “Meu anjo da guarda minha melhor companhia guarda bem a minha alma, de noite e de dia”; como é do tempo do Menino Jesus, também a ele fazia as suas preces. Acreditava que precisava de lhe pedir muito para ser uma pessoa boa.
Um dia quis roubar uma boneca, não o fez porque achava que Jesus viria com a sua mão, tal como via nas imagens do livro de catequese, e impedia-a.
Assim cresceu, acreditando que o bem se paga com o bem e o mal também; que os bons se erram são castigados e os maus nem por isso.
Em criança escrevia cartas ao seu Anjo da Guarda, de seguida deixava-as espalhadas pelo campo ou li-as aos animais que havia lá por casa (galinhas, patos, cães, gatos, porco, gafanhotos…); depois achava que a confissão ou desejo estava pronto para ser perdoado ou concretizado.
De uma forma infantil sempre se considerou boa pessoa e crente que não faz nem deseja mal a ninguém e como tal um dia terá a compensação, um dia quem sabe…
Não se considera infeliz mas há muito que não se sente feliz.
Hoje apeteceu-lhe escrever uma carta. Quem sabe se o Anjo da Guarda não está por aí… é que ela não se sente boa pessoa. Na verdade nem sabe quem é. 
Parece que está de mal com o mundo. Quer paz e harmonia, porém a vida envia-lhe conflitos e, ela não encontra a sabedoria para os contornar.
Quer Ser grandiosa de uma forma simples, todavia dá por si a sentir-se insignificante. Não a insignificância das coisas banais e do ego. É o seu Ser que periga e isso assusta-a!
Sente-se perdida e por isso escreve -  com a mesma desprotecção e ingenuidade de criança - a pedir que o seu Anjo, aquele que perdeu em criança, a encontre e a ajude a encontrar-se e a ser uma pessoa recta, justa, serena; enfim uma pessoa real, uma boa pessoa…

Onde está a estrela que a há-de guiar?


Ney Matogrosso e Pedro Luis e a Parede

A inspiração vem de onde ?
Pergunta pra mim alguém
Respondo talvez de longe
De avião, barco ou ponte
Vem com meu bem de Belém
Vem com você nesse trem
Nas entrelinhas de um livro
Da morte de um ser vivo
Das veias de um coração
Vem de um gesto preciso
Vem de um amor, vem do riso
Vem por alguma razão
Vem pelo sim, pelo não
Vem pelo mar gaivota
Vem pelos bichos da mata
Vem lá do céu, vem do chão
Vem da medida exata
Vem dentro da tua carta
Vem do Azerbaijão
Vem pela transpiração
A inspiração vem de onde, de onde
A inspiração vem de onde, de onde
Vem da tristeza, alegria
Do canto da cotovia
Vem do luar do sertão
Vem de uma noite fria
Vem olha só quem diria
Vem pelo raio e trovão
No beijo dessa paixão
A inspiração vem de onde, de onde ?
A inspiração vem de onde, de onde ?



quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Dez réis de esperança - António Gedeão




Julien Dupré - 1851-1910
Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.
Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas
a cair impertinente,
aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,
não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, e não perceberam,
essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,
se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

O Poster...


Há tantos anos que não nos encontramos, uma eternidade para quem era tão próxima, mesmo que isso fosse no liceu.
Cruzámo-nos há muitos anos na estação rodoviária, uma vinha outra ia, foi um abraço de chegada  e de partida. O espanto contido por nos encontramos ali manifestou-se de uma forma alegremente efusiva.
Disse, com aquela convicção da sinceridade momentânea,  que lhe escrevia para  a morada da mãe  - inalterável até à outra morada, a final - não o fiz.
Hoje soube notícias dela; não as mais felizes.
Em jovem adorava o Rod Stewart - até tinha um poster dele no quarto; o trabalho que deu a consegui-lo e posteriormente a convencer o pai a deixá-lo afixar na parede.
A vida quebra-nos aos poucos...
I don't want to talk about it


I can tell by your eyes that you've prob'bly been cryin' forever,
and the stars in the sky don't mean nothin' to you, they're a mirror.
I don't want to talk about it, how you broke my heart.
If I stay here just a little bit longer,
If I stay here, won't you listen to my heart, whoa, heart?

If I stand all alone, will the shadow hide the color of my heart;
blue for the tears, black for the night's fears.
The star in the sky don't mean nothin' to you, they're a mirror.
I don't want to talk about it, how you broke my heart.
If I stay here just a little bit longer,
if I stay here, won't you listen to my heart, whoa, heart?
I don't want to talk about it, how you broke this ol' heart.

If I stay here just a little bit longer,
if I stay here, won't you listen to my heart, whoa, heart?
My heart, whoa, heart.

domingo, 29 de Novembro de 2009

Esses difíceis domingos






O tempo convida ao conforto do lar, o tempo meteorológico, entenda-se, porque o outro banalizou-se ser sempre escasso - como se desde o tempo dos tempos, os dias não tivessem sempre 24 horas e as semanas 7 dias... 
Tenho a sensação que deixo passar o mais importante da vida por ter intrinsecamente esta coisa de que não tenho tempo. Habituei-me a este estado de espírito, esta sensação de me faltar sempre tempo para completar o relatório X, ler o documento Y ou fazer as tarefas de A a Z.
O Natal bate à porta e eu aqui tão descrente. Neste caso nem poderei dizer que é por falta de tempo, é algo mais profundo; um estado de alheamento, como as gotas de água a escorregar numa superfície gordurosa.
Assusta-me esta estranha que habita em mim. Falta-me um pouco de euforia, não era preciso uma dose elevada, apenas uma pitada - q.b. – para que a vida fizesse outro sentido…
Afadiga-me esta coisa de ter que comprar prendas – generalizando, é a isto que se resume o Natal – quando o dinheiro escasseia para cumprir com as despesas que se afiguram. Lembro-me diversas vezes da frase que a minha avó resolveu introduzir nos nossos biberões “1º pagar para andar de cabeça erguida, depois, depois logo se vê”. Assim, cá em casa primeiro paga-se tudo, depois o que sobra, se sobra logo se vê. E a verdade é que não me vejo a comprar sabonetes, meias ou berloques para marcar presença nas trocas de prendas familiares ou não.
Aqui sentada olhando pela janela, não consigo ficar indiferente ao ronrar dos meus gatos, enroscados junto a mim. O Mezzo permite-me desfrutar da música, essa sim ainda consegue fazer eco em mim.
No domingo passado assisti ao espectáculo Solo Brasil e durante 1:30m saboreei 100 anos de música brasileira.





NATAL DE QUEM?

Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do perú, das rabanadas.
 -- Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
 - Está bem, eu sei!
 - E as garrafas de vinho?
 - Já vão a caminho!
 - Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
 - Não sei, não sei...
 Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
 - Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza.
Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente!
 Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis.
E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
 O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração.
A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto!
 Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
 - Foi este o Natal de Jesus?!!!
(João Coelho dos Santos in Lágrima do Mar - 1996) - O meu mais belo poema de Natal


quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Cinema em dia de congestinamento de trânsito



Ontem foi um dia "daqueles"...
O congestionamento do trânsito levou-me a optar por alterar o percurso habitual.
Em vez da ponte - tão perto mas tão inacessível - segui em frente e fui até às Amoreiras. Antes, atestei o depósito que se encontrava na reserva e não aguentava um fim de dia em para-arranca - verdadeiramente,  mais parando que arrancando...
Assim, após um percurso pela livraria para ver as novidade literárias - Ah! tanto para ler  - fiz umas compras e meti-me ao caminho; julgava eu. Em 20 minutos não andei 20metros. Estacionei no primeiro buraco que vi e eis-me  na sala Vip das Amoreiras a desfrutar de Julie & Julia. 
Um bom momento com uma Meryl Streep sempre divinal, uma grande senhora, uma leoa da 7ª arte.
Valeu a pena, mas às 21:30 ainda havia fila para casa...


domingo, 22 de Novembro de 2009

Consumo e Felicidade





 Pintura Flamenga-PIETER BRUEGHEL, O VELHO

Diz-me como consomes  dir-te-ei quem és...
Consumimos cada vez mais. Pacotes, marcas, aparências, status... consumimos, destruímos,  mas  não somos mais felizes.
O planeta ameaça ruir e ainda as economias emergentes vão no início. Consumimos, consumimos... Cada um à medida do que o seu endividamento permite. Vivemos uma bulimia do consumo mas a felicidade é anorética.
Generalizando, pode-se dizer que vivemos cada vez mais tempo, nunca atingimos um nível de vida tão elevado; aparentemente tudo nos está acessível, mas paradoxalmente nunca houve tantos suicídios, nem  se vendeu tantos ansiolíticos.
Vem aí o Natal, época de consumo por excelência; por favor consuma com responsabilidade, pratique o consumo sustentável.
Tenha em atenção a origem do produto, a embalagem, a utilidade, a origem da produção - por que não começar  a pensar que muitos dos produtos baratos que consumimos têm subjacente o trabalho escravo e infantil, delapidam recursos naturais e deixam as populações locais sem hipóteses de subsistirem?
Compre produtos tradicionais, coisas simples  e úteis. Se não tiver que dar, esteja presente, acredite que isso faz  a diferença.
Como diz Gilles Lipovestsky, autor de "A Felicidade Paradoxal - Ensaio sobre a Sociedade do Hiperconsumo: 
"A sociedade de hiperconsumo é a da «felicidade paradoxal». Relativamente aos anos de 1960, consumimos o triplo da energia, contudo ninguém pode sustentar que somos três vezes mais felizes.
Quanto mais se multiplicam as fruições privadas mais se afirmam as frustrações da vida íntima, as ânsias e as depressões, as desilusões afectivas e profissionais. As insatisfações próprias progridem proporcionalmente às satisfações proporcionadas pelo mercado.
O «trágico» da nossa época radica na dinâmica da individualização e em novas aspirações de vida feliz; quanto mais se afirma a exigência de felicidade privada, mais crescem, inevitavelmente, as insatisfações e desilusões de todo o tipo."
"Hoje em dia, somos livres de escolher as nossas actividades de lazer, mas estamos cada vez mais sob o império da oferta comercial. Somos livres ao nível dos pormenores, mas o mercado ganhou um poder sem precedentes na vida de cada um e sobre a maneira de concebermos a felicidade em termos de dia-a-dia. Neste dilúvio de convites a desfrutar da vida, a distância entre a felicidade que nos é prometida e o real, o quotidiano, é cada vez maior. E essa glorificação da felicidade provoca problemas existenciais. (…) Abandonado a si próprio, numa sociedade hiper-individualista, o indivíduo hiper-moderno é frágil.»
«Mas só uma outra paixão poderá permitir reduzir a paixão consumista; temos de inventar uma pedagogia, uma política das paixões, capaz de mobilizar os afectos fora do consumível, da compra: no trabalho, no desejo, na criação, na arte. Temos de criar uma ecologia mais equilibrada da existência.»
«A felicidade foge obstinadamente ao controlo humano. É ilusório pensar que podemos construir a felicidade.»
"Apontando o aumento da obesidade que evidencia o “excesso de consumo que se deve criticar”, Lipovetsky - professor da Universidade de Grenoble, em França, e autor de obras como A Era do Vazio - reconheceu que o aumento de tecnologia e produtos disponíveis pode “fazer recuar a doença, os grandes desastres”, mas a partir de um certo limiar ter mais dinheiro não aumenta a felicidade.
“Quando [o consumo] é o tudo da existência, é perverso. O Homem não deve ser só um consumidor, deve ser uma criatura que aprende, que pensa, que se ultrapassa”, argumentou.
A contrapor à “paixão da espiral consumista”, só uma “pedagogia e uma política de paixão, que ofereça objectivos capazes de mobilizar a paixão dos indivíduos”, declarou.
“Pela arte, pelo trabalho, é preciso dar aos seres humanos a capacidade de viver para outras coisas além das marcas ou da substituição de uns produtos por outros. É precisa uma ecologia do espírito, precisamos de criar outro pólo, senão não vai parar esta bulimia”, disse, defendendo ser necessário “inventar novos modos de educação e trabalho”.“A felicidade não cresce ao mesmo ritmo que a economia. Existe um mito, um fetiche com a ideia de crescimento, que não é um bom indicador de felicidade”, disse o filósofo.Para Lipovetsky, a escalada do consumo deve-se, entre outros factores, à mundialização da economia, que não pára de propor novos serviços e produtos numa “fuga para a frente infernal” e à legitimação da “cultura hedonista em que gozar a vida já não é um interdito”. Por outro lado, “paga-se caro” por viver numa sociedade individualista, em que o desempenho individual é constantemente medido: com “angústia”, a que as pessoas, ansiosas, já não reagem “indo à missa”, mas consumindo, num mundo em que comprar já não tem limites nem de espaço nem de tempo.Com a Internet, finalizou-se um modelo de “consumo contínuo”, que, “com ou sem crise, vai continuar”.
Se, antigamente, o consumo era organizado por família ou por classe social, hoje o consumidor é “nómada, imprevisível, descoordenado”, apontou. Compra para si, compra luxo - mesmo que tenha que reduzir noutros sectores - e compra sempre à procura de prazer, essencialmente, mais do que de prestígio.
Hoje, “vive-se para ter constantemente pequenas experiências, para combater um pouco a banalidade dos dias, evitar a fossilização do quotidiano, há uma curiosidade constante pelo que é novo”, acrescentou.

In Público, 28.10.2009.


sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

A Carta que Egas Moniz escreveu a D. Afonso Henriques

Cerco de Lisboa por D. Afonso Henriques




O Cerco de Lisboa por D. Afonso Henriques
c.1840, óleo sobre tela, 1070 x 800 mm
Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto, Portugal
A Carta que Egas Moniz escreveu a D. Afonso Henriques e que só hoje chegou a Portugal...

Meu querido Afonso,
Ou Afonsinho, como eu te chamava no tempo em que te educava junto às margens do rio Douro, quando foi do milagre. Eras tão pequenino e enfezadinho.
Afonsinho, em que estavas a pensar quando mais tarde te zangaste com o teu Tio e fundaste Portugal?
Olha só no que deu essa tua travessura:
·    No exame final de 12º ano, és apanhado a copiar, chumbas o ano; o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa, mandou por fax e é engenheiro.
·    Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto, mas não pode pôr um'piercing' (um prego nas trombas, mas em inglês diz-se assim)
·        Um jovem de 18 anos recebe 200 €  do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma 236 €  depois de toda uma vida do trabalho.
·        Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco. O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.
·        Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2.000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.
·        Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa é das causas sociais.
·        O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados. No Fórum Montijo, o WC da Pizza Hut fica a 100mts e não tem local para lavar as mãos.
·        O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).
·        Nas prisões, são distribuídas gratuitamente seringas por causa do HIV, mas é proibido consumir droga nas prisões!
·        Um jovem de 14  anos mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal. Um jovem de 15 leva um chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, é violência doméstica!
·        A uma família a quem a casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tem de viver conforme pode. 6 presos que mataram e violaram idosos vivem numa cela de 4 e sem wc privado, não estão a viver condignamente e aí aassociação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.
·        A militares que combateram em África a mando do governo da época na defesa do território nacional não lhes é reconhecido nenhuma causa nem direito de guerra, mas o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa das Pátrias DO  KOSOVO, AFEGANISTÃO E IRAQUE, não da Pátria que fundaste.
·        Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem; não pagas às finanças a tempo e horas, passado um dia, já estás a pagar juros.
·        Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal. Constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.
·        Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos o pões a trabalhar contigo num ofício respeitável, é exploração de trabalho infantil. Se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais, a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe!
·        Numa farmácia pagas 0.50€ por uma seringa que se usa para dar um medicamento a uma criança. Se fosses  drogado, não pagavas nada!
·        Afonsinho, de novo te pergunto e por favor responde-me: em que estavas a pensar quando fundaste Portugal? Carago, foi uma diarreia mental que tiveste, confessa lá que foi. Agora todos estão desiludidos. Já te falarei um dia na corrupção. O Gonçalo Mendes da Maia que tu tanto criticavas por querer tudo, era um ingénuo, não era nada ao lado desta gangada, nossos descendentes.
Se vires a senhora tua Mãe, dá-lhe recados.
Um beijo do teu servidor sempre fiel,
Egas Moniz
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quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Ideias para o Natal

A Natal parece querer chegar, mas eu nem dou por ele, nem o sinto. Sim, sei que esse é um problema meu; mas que fazer?
Porém, para  os que pensam embrulhar muita prenda, eis uma ideia...

Furoshiki gift wrapping from RecycleNow on Vimeo






terça-feira, 17 de Novembro de 2009

O estado a que chegámos...



Na impossibilidade de escrever algo tão claro, deixo aqui as palavras de Helena Matos:
Público 12.11.2009

O estado a que chegámos...
Por Helena Matos

Em 2009 estamos aqui sozinhos e adultos num país que empobrece e que se confronta com uma grave crise moral

"Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos" - Foi assim que Salgueiro Maia explicou aos seus homens a razão do golpe militar que ia ter lugar naquela madrugada de Abril de 1974. Os militares não costumam ser muito eloquentes e alguns, como acontecia com Salgueiro Maia, usam as palavras com tal parcimónia que transformam o laconismo numa espécie de recurso estilístico. Donde, neste ano de 2009, por mais voltas que dê não vejo nada mais adequado para definir Portugal do que aquele "estado a que chegámos" dito por Salgueiro Maia, há 35 anos, na Escola Prática de Cavalaria, em Santarém.

Mas deste estado a que chegámos em 2009 não nos livram tanques nem cravos, nem militares nem líderes providenciais. Em 2009 estamos aqui sozinhos e adultos num país que empobrece e que se confronta com uma grave crise moral. Da pobreza se falará outro dia. Hoje fico-me pela moral. A palavra moral faz mesmo muita falta neste estado a que chegámos pois o problema reside em termos trocado os valores pelo Código de Processo Penal.

Nem tudo o que não é crime é moralmente aceitável. Sobretudo quando se ocupam cargos políticos. Para nosso azar temos como primeiro-ministro alguém que não faz essa distinção: "Estava convencido que não estava a violar nenhuma lei nem nenhum regulamento. Infelizmente há essa polémica em Portugal e eu quero lamentar essa polémica" - afirmou José Sócrates. Quando? No momento em que percebeu que alguns jornais portugueses tinham revelado que ele fumara a bordo de um avião da TAP, isto após o governo que chefiava ter aprovado uma severa legislação antitabágica. Mas, se procurarmos, encontramos este argumentário do estar "convencido que não estava a violar nenhuma lei" no Freeport, na Cova da Beira, no Vale da Rosa, na licenciatura domingueira, no caso da TVI...

É um círculo vicioso: José Sócrates está sempre convencido de que é possível provar que não infringiu regulamento algum e vê como uma infelicidade que alguns suscitem tal polémica, que entende invariavelmente como um ataque pessoal. Ou seja, estamos perante alguém que usa o poder político para produzir legislação sobre tudo e mais alguma coisa, como se todos movimentos, espaços e atitudes tivessem de ter enquadramento dum decreto-lei genesíaco. E que acredita que lhe basta provar que tudo foi legal para que os casos sejam arquivados na nossa memória ou mesmo apagados como as escutas podem ser nos tribunais.

Uma das consequências desta identificação entre legal e moral, que não começou em Portugal com José Sócrates mas que muito se acentuou com ele, é que paulatinamente o país se transformou numa imensa sala de audiências: as oposições políticas esperam que chegue finalmente a escuta, a declaração ou o documento que ponha os juízes a fazer o trabalho que é o seu enquanto oposições e que até agora não fizeram. Veja-se por exemplo o sobressalto causado agora na classe política pelas escutas do caso Face Oculta (raio de nome!) e compare-se com a indiferença que mostraram perante a revelação de que o processo de construção e concessão da Estação de Resíduos Sólidos Urbanos da Associação de Municípios da Cova da Beira tinha sido ilegalmente destruído em 2007, por decisão da Autoridade de Gestão do Programa Operacional do Ambiente. Exigir saber donde veio essa ordem e quem a mandou executar, sabendo que era ilegal, teria sido um extraordinário serviço à democracia. Mas dava trabalho, não havia escutas e exigia empenhamento na transparência. Mais tarde ou mais cedo uma qualquer escuta (em Portugal as investigações policiais reduzem-se a escutas?) devidamente filtrada por uma fuga de informação alcançaria o alvo.

Mas nessa imensa sala de audiências a que está reduzido Portugal, os políticos não estão sós. Os jornalistas também estão lá alimentando-se das fugas de informação que têm origem no mundo da justiça que por princípio não só devia saber guardar segredo como até é suposto impô-lo. Mas investigar em jornalismo implica tempo e uma autonomia face aos poderes político e económico que entre nós nunca foi muito grande e que tem vindo a diminuir.

Por fim temos o primeiro-ministro e o seu círculo. Garantem invariavelmente que tudo se passou e vai passar na legalidade. E como habitualmente até é tudo legal e como não se discute mais nada além da legalidade, cá vamos apodrecendo de caso em caso.

Afinal o reverso natural desta nossa redução da moral ao legal é o estarmos mergulhados em casos disto e daquilo. Estes invariavelmente não levam a lado algum pois não só a justiça em Portugal funciona muito mal como seria absolutamente perverso que os tribunais começassem a constituir arguidos e a condenar com ligeireza como forma de compensação da falta de valores morais dos detentores de cargos públicos e políticos.

Tal como descriminalizar um comportamento não quer dizer que ele passe a ser desejável ou sequer aceitável também não podemos criminalizar a sociedade e as atitudes na esperança de que os juízes distingam, por nós, o bem do mal ou o certo do errado. O estado a que chegámos tem um problema moral, coisa que não se resolve com armas, como há 35 anos, nem com leis, como freneticamente temos feito. Ou avaliamos as pessoas e escolhemos os líderes pelo que são ou não saímos deste pesadelo em que tudo se reduz a provar o que não fizemos. Francamente anseio pelo dia em que se possa discutir o que faz e decide o primeiro-ministro, este ou outro qualquer, e deixar para trás este pântano das declarações sobre o que parece que aconteceu mas afinal não aconteceu e a ter acontecido era perfeitamente legal.

domingo, 15 de Novembro de 2009

Quando a poesia não nos sai da cabeça...


 
Foto daqui
Há dias que ando com esta poesia a fazer eco em mim, hoje partilho-a convosco, porque sabe sempre bem ler Ary dos Santos.
E como diz WALT WITHMAN  " NÃO DEIXES DE CRER QUE AS PALAVRAS, O RISO E A POESIA PODEM MUDAR O MUNDo..."


Cavalo à solta

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve, breve
instante da loucura

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura 


sábado, 14 de Novembro de 2009

As flores dos frutos









sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Medicamentos indispensáveis!

Os melhores medicamentos do mercado!






CTRL+ZOL ®
Indicações: Gafes e similares. Perfeito naqueles momentos logo após dizer uma borrada tão grande que tem vontade de arrancar a cabeça, colocar num saco de papel e enterrar no quintal.
Contra-Indicações: Não indicamos a aplicação do medicamento em promessas políticas, no póquer e nem durante partidas de futebol.
Efeitos secundários: A sobredosagem trava o sistema nervoso central, sendo obrigatório o uso do medicamento Ctrl+Alt+Delina ®. 

ESQUECIL ®

Indicações: Problemas de coração partido, traumas em geral.
Contra-Indicações: Pessoas casadas, empregados de mesa, loiras grávidas (podem esquecer a gravidez e acabar por fazer uma lipo à barriga).
Efeitos secundários: Esquecil® apaga completamente a memória recente. Cuidado com a sobredosagem! Há casos de usuários de Esquecil® que alegaram intenções de voltar a votar no Sócrates, neste caso recomendamos o uso conjunto com Socratim®.


PARVONOL ®
Indicações: Tratamento de aparvalhamento em geral. Óptimo para chefes que pedem relatórios e levantamentos enormes 10 minutos antes de nos irmos embora, ou na sexta ou na véspera de feriados...
Contra-Indicações: Não há. Um pouco de Parvonol® provou ser benéfico a qualquer usuário.
Efeitos secundários: Foram relatados alguns casos em que o uso de Parvonol ® gera uma forte depressão logo nas primeiras semanas de uso. Normalmente porque o paciente passa a perceber o que fazia antes.
(Enviado por e-mail)

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009

Parábola dos dois cavalos


Perto da minha casa há um pasto com dois cavalos. De longe parecem dois cavalos normais mas de perto, quando se olha bem apercebemo-nos que um é cego. Porém, o dono não se desfez dele, o que é de admirar.

De escutarmos com atenção podemos ouvir um sino.E de onde vem o som do sino? se estivermos com atenção descobrimos que o sino vem do pescoço do cavalo que não é cego.
Ouvindo o sino o cavalo cego vai até ao cavalo mais novo, seguindo-o para todo o lado. Ambos vivem felizes pelo pasto fora.
Ambos passam os dias comendo e no final do dia o cavalo cego segue o companheiro até o estábulo. Apercebemo-nos que o cavalo com o sino está sempre olhando se o outro o acompanha e, às vezes, pára para que o outro possa alcançá-lo.
E o cavalo cego guia-se pelo som do sino, confiante que o outro o está levando para o caminho certo.
Como o dono desses dois cavalos, Deus não se desfaz de nós só porque não somos perfeitos, ou porque temos problemas ou desafios. Ele cuida de nós e faz com que outras pessoas venham em nosso auxílio quando precisamos.
Algumas vezes somos o cavalo cego guiado pelo som do sino daqueles que Deus coloca em nossas vidas.
Outras vezes, somos o cavalo que guia, ajudando outros a encontrar seu caminho.
E assim são os bons amigos. Você não precisa vê-los, mas eles estão lá.

domingo, 8 de Novembro de 2009

Quando as palavras são dispensáveis...








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sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

(Des)encontro entre irmãos

Jogador de pião
Foto daqui
"Irmão é aquele que possui o mesmo pai e/ou a mesma mãe, biológica ou adoptiva".


Sendo esta a definição de irmão, porque será que por vezes os irmãos são tão diferentes?
Não são  poucos os casos em que irmãos sentem que, à medida que crescem, se afastam cada vez mais um do outro - por norma, isoladamente cada um afirma: o meu irmão é um estranho; não o conheço! Ambos sentem esta diferença, ou esta não identificação. Porém, não conseguem fazer nada para que a distância abismal os separe cada vez mais e os afunde na sua não identidade.
As brincadeiras de criança, as bulhas, os risos e as descobertas ficam ofuscados por interesses e feitios que tomam proporções gigantescos, como uma sombra de noite, no quarto às escuras, aos olhos de uma criança.
A sombra pode transformar-se em monstro, fantasma ou lobo mau e, aos olhos da criança tudo isso é demasiado aterrador. Em adultos as discussões, as partilhas, as diferenças académicas e económicas, o tamanho das casas, dos carros, enfim tudo o que não interessa,  atinge proporções de tal ordem que aqueles seres outrora tão companheiros transformam-se em estranhos.
Dizia-me a minha amiga Maria a propósito da separação dos seus 2 filhos que com apenas 4 anos de diferença sempre foram tão distintos entre si:
- na composição da escola o João escreveu o seguinte "Tiago tenho saudades tuas, a casa não parece mais a mesma. Como vai  a tua vida aí pela faculdade?é bom morar em Lisboa sem a mãe a pedir-te para arrumares o quarto? Sei que só podes vir de 15 em 15 dias mas estou desejando que voltes mesmo que tu me chames cromo e queiras o portátil só para ti (...)".
Não consegui deixar de pensar no meu irmão, do tempo em que ele jogava ao pião e eu ficava a vê-lo jogar com os rapazes da nossa rua, torcendo para que o pião dele rodasse mais tempo. Ele era o meu herói.
A última vez que vi o meu irmão foi no dia da escritura da venda da casa dos meus pais; já lá vai muito tempo...Os nossos desencontros aumentaram à medida que crescemos e as diferenças entre nós  acentuaram-se. Qualquer dia daremos por nós a lamentarmo-nos por não termos sido capazes de  perdoar,  quebrar o orgulho e esquecer as coisas menos importantes, não obstante a sua aparente importância.


Irmão, Irmãos
Cada irmão é diferente.
Sozinho acoplado a outros sozinhos.
A linguagem sobe escadas, do mais moço,
ao mais velho e seu castelo de importância.
A linguagem desce escadas, do mais velho
ao mísero caçula.

São seis ou são seiscentas
distâncias que se cruzam, se dilatam
no gesto, no calar, no pensamento?
Que léguas de um a outro irmão.
Entretanto, o campo aberto,
os mesmos copos,

o mesmo vinhático das camas iguais.
A casa é a mesma. Igual,
vista por olhos diferentes?

São estranhos próximos, atentos
à área de domínio, indevassáveis.
Guardar o seu segredo, sua alma,
seus objectos de toalete. Ninguém ouse
indevida cópia de outra vida.

Ser irmão é ser o quê? Uma presença
a decifrar mais tarde, com saudade?
Com saudade de quê? De uma pueril
vontade de ser irmão futuro, antigo e sempre?

Carlos Drummond de Andrade, in 'Boitempo'

Gosto deste conto de José Veiga: entre irmãos

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Estoril Film Festival 2009

O Estoril volta a ser capital do cinema entre os dias 5 e 14 de Novembro com a realização da terceira edição do Estoril Film Festival evento que já constitui uma referência incontornável no panorama dos festivais internacionais.
Este ano, para além da apresentação de filmes em competição e fora dela, vão ser homenageadas figuras maiores do cinema como David Cronenberg, Juliette Binoche e David Finche.

Ver programa em aqui!

Bilhetes - 3 €
À venda a partir de 5 de Novembro nos seguintes locais:
Casino Estoril das 15h00 às 00h00
Centro de Congressos do Estoril das 10h00 às 00h00
Passe Festival - 20 €
À venda nos seguintes locais:
Cinemas Medeia
Monumental, Saldanha Residence e King
Lojas Fnac de Lisboa
À venda a partir de 5 de Novembro nos seguintes locais:
Casino Estoril das 15h00 às 00h00
Centro de Congressos do Estoril das 10h00 às 00h00

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Ciclo Cinema & Ambiente


Foto daqui

Para ver e pensar...

Fundação Calouste Gulbenkian, em colaboração com a Cinemateca Portuguesa, apresenta o ciclo Cinema & Ambiente, de 15 de Setembro de 2009 a 13 de Julho de 2010. No final de cada filme, uma personalidade pública será convidada a comentar a obra. As sessões são de entrada livre e realizam-se mensalmente na Cinemateca, às 21h30.


"O objectivo deste ciclo de cinema é motivar uma discussão alargada com o público sobre a temática ambiental".

Calendário:

15 de Setembro: "Seguro" (Safe), de Todd Haynes. Comentado por Teresa Patrício Gouveia.

13 de Outubro: "A Nuvem" (Die Wolke), de Gregor Schnitzler. Comentado por Inês Pedrosa.

  • 10 de Novembro: "Os Últimos Dias do Paraíso" (Medicine Man), de John McTiernan. Comentado por Susana Fonseca.
  • 15 de Dezembro: "Efeitos na Escuridão" (The Trigger Effect), de David Koepp. Convidado a anunciar.
  • 12 de Janeiro: "Five", de Arch Oboler. Convidado a anunciar.
  • 9 de Fevereiro: "À Beira do Fim" (Soylent Green), de Richard Fleischer. Convidado a anunciar.
  • 9 de Março: "O Lado Selvagem" (Into the Wild), de Sean Penn. Comentado por Paula Moura Pinheiro.
  • 13 de Abril: "Os Respigadores e a Respigadora" (Les Glaneurs et la Glaneuse), de Agnès Varda. Comentado por Helena Roseta.
  • 11 de Maio: "A Floresta Interdita" (Wind across the Everglades), de Nicholas Ray. Convidado a anunciar.
  • 8 de Junho: "O Mundo do Silêncio" (Le Monde du Silence), de Jacques-Yves Cousteau e Louis Malle. Convidado a anunciar.
  • 13 de Julho: "O Acontecimento" (The Happening), de M. Night Shyamalan. Comentado por Viriato Soromenho-Marques.

Todas as sessões têm entrada gratuita, no limite dos lugares disponíveis. Será necessário bilhete de ingresso. Dirija-se à bilheteira da Cinemateca no próprio dia de sessão, das 14h30 às 15h30 e das 18h00 às 21h30.


domingo, 1 de Novembro de 2009

NÃO BASTA APAGAR O FOGO

Sem tempo para escrever ou visitar-vos deixo um "olá" com esta imagem que fala por si...



 Foto da frente de combate ao incêndio que devastou a Austrália.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

A CEREJEIRA DA LUA

História enviada pelo Clube de Contadores de Histórias: Projecto: Abrir as portas ao sonho e à reflexão


A Lua fita-nos quando a fitamos? Não. Nunca. Se a chamarmos, deste canto da Terra, a Dama Toda Branca embuça-se de mistério e faz de conta que é a Bela Adormecida. Presunçosa.

Como se toda a gente não soubesse que a Lua deixou de ser inacessível. Botas memoráveis pisaram-lhe a superfície desolada. Satélites zumbem à sua volta. Telescópios potentíssimos perscrutam-lhe todos os socalcos, rugas e verrugas.
A Lua é a nossa vizinha defronte. E, ao perto, nada bonita, por sinal.
Quem se atreve a dizer-lho? Não contem comigo.
Aliás, pouco importa. Ela que nos ignore. Que dirija a atenção para a distância azul da noite. Que recorde outros tempos, antigas glórias. Que sonhe. Deixem-na sonhar.
Entre muitas evocações mimosas, a Lua sonha com o imperador Meng Uóng, que dela se enamorou. Onde isso vai.
Numa das varandas do palácio imperial, ornamentada de gaiolas de ouro, Meng Uóng, tocado pela tristeza do crepúsculo, dá de comer às cotovias.
O sábio Tien-O-Tzê segue-o em silêncio como uma sombra protectora. Foi seu aio, depois seu mestre.
Introduziu-o no segredo dos cultos, interpretou, um por um, para ilustração do jovem imperador, todos os conselhos do livro dos veneráveis e pacientemente guiou-lhe a mão inábil de menino sobre o desenho das primeiras letras gravadas em tabuinhas de sândalo.
Brilha o esmalte das colunas à luz dos archotes. Criados de sandálias sussurrantes varrem com leques de penas de pavão o fumo do ar à roda do imperador. Um perfume adocicado de ervas preciosas evola-se dos turíbulos mansamente agitados pela brisa do princípio da noite.
Uma pena cinzenta de cotovia esvoaça e como que hesita entre a varanda e o escuro do jardim. Tocada por um raio do luar parece de prata.
Isto mesmo diz o imperador, pensativo, enquanto acompanha o devanear da pena que, depois, se perde por entre a ramagem dos sicómoros.
– Tudo à nossa volta aspira à perfeição – comenta o sábio Tien-o-Tzê.
O imperador suspira:
– Até uma pena de cotovia...
– Até uma pena de cotovia – repete o sábio.
– Não será um sinal, um aviso da Lua? – pergunta o imperador, subitamente ansioso.
O sábio permite-se sorrir.
– Se Vossa Majestade assim o quer, será – diz, cofiando a barbicha branca e encerada que lhe escorrega até à cintura.
Descem da varanda ao jardim alumiado por grandes lanternas de pétalas roxas. Suspensas, rente ao chão, as lanternas tudo convertem à cor dos sonhos mais imprevisíveis. A relva, as ramagens baixas dos arbustos e os pés do imperador e do mestre ficam aureolados de roxo e lilás. Parece que caminham sobre nuvens.
Porque o sábio não desaproveita uma oportunidade sem retirar um ensinamento que sirva de alimento espiritual ao jovem imperador, logo acrescenta mais esta fala:
– Um vosso antepassado, o erudito e judicioso imperador La-Long, escreveu na base de uma estatueta de jade, que representava um monge de pálpebras descidas, um luminoso pensamento: O inatingível está à tua mercê. Queres que os teus desejos aconteçam? Fecha os olhos.
Proferidas estas palavras graves, o sábio Tien-o-Tzê, apoiado a um tronco nodoso de cerejeira que lhe serve de bordão, suspende os passos. Fecha os olhos.
Encara-o, surpreendido o imperador.
– Estás a desejar alguma coisa? – pergunta.
O sábio abre os olhos:
– Os meus desejos são os vossos, Majestade. Procurava apenas adivinhá-los.
– E descobriste-os?
Tien-O-Tzê, em resposta, ergue o bordão e aponta-o à Lua, redonda e enorme, que subia ao céu, logo por trás dos últimos sicómoros do jardim.
– Tens razão, genial amigo – exclama, entusiasmado, o imperador. – Quero ir à Lua.
– Pois irá – proclama o sábio. – Segure, Vossa Majestade, o arrocho de cerejeira a que me arrimo para as pequenas e grandes caminhadas da vida... Cerre os olhos.
O imperador, habituado a confiar no mestre, corresponde ao mandado.
– Este bordão, que ambos seguramos, há-de levar-nos à Lua –brada, num acesso de inesperada força, o sábio ou mago Tien-O-Tzê. – Não abra os olhos, Majestade, que eu vou lançar o bordão ao céu.
O imperador Meng Uóng, de pálpebras apertadas, sente, num arrepio, que os pés, calçados com finas babuchas escarlates debruadas a pérolas, se soltam do solo e divagam no vazio como se os tivesse suspensos de um baloiço.
– Não abra os olhos, Majestade – torna a recomendar-lhe Tien-O-Tzê.
A voz dele ressoa em eco, repercutida por toda a abóbada celeste:
– Não abra… não abra… não abra os olhos, Majestade…
Vão longe? Vão perto? Por onde voga o bordão a que sábio e imperador se fincam como náufragos que rodopiassem no turbilhão de uma tempestade silenciosa? O imperador pergunta e não quer achar resposta.
Um vento ciclónico e cada vez mais frio encortiça-lhe o rosto crispado. É insuportável. Manter os olhos fechados, agora, não custa. Mais custaria abri-los.
O vento pacifica-se em aragem. O frio em amenidade.
Aos ouvidos do jovem imperador soam, primeiro indistintamente depois mais nítidos, os acordes de guitarras e vozes femininas, numa fresca melopeia de boas-vindas. De súbito, os pés encontram chão.
– Pode abrir os olhos, Majestade – comanda o sábio numa entoação de riso.
Ah! eis a Lua! A seu lado, Tien-O-Tzê recupera só para ele a vara de cerejeira e enterra-a no musgo esbranquiçado do solo lunar, fofo e macio, que dá a cada passo uma cadência de dança.
Talvez por isso as jovens que acorrem a receber os visitantes, vestidas com túnicas de cores celestes, têm um andar precioso de dançarinas rituais. Agitam leques, cantam e riem como sinos de porcelana.
– Para onde nos levam? – pergunta, aturdido, o imperador, que pela primeira vez sente o peso da sua túnica de brocado azul onde fulgem dois dragões de oiro.
Elas rodeiam-nos e empurram-nos brandamente enquanto tangem alaúdes.
Levados pelo redemoinho da festa, o imperador e o sábio distanciam-se do lugar onde tinham poisado. Sobem agora uma escadaria de marfim onde, no alto, luminosa, os espera...
– Seong-Ngó, a castelã da Lua – exclama Tien-O-Tzê, reconhecendo-a ao primeiro relance.
O sábio não errara. Seong-Ngó reina sobre as selenitas. Ela, que se refugiara na Lua enquanto o seu esposo, Hau-Ngai, se exilara no palácio do Sol, ora toma a configuração de uma rã de três pernas, ora se ostenta em toda a sua beleza de imortal.
Felizmente que, para receber as visitas, não apareceu sob a forma de batráquio, o que seria deselegante. Sentada num trono de coral, rodeada de fadas dançarinas, Seong-Ngó não profere uma única palavra, mas eles percebem pelo brilho dos seus olhos maliciosos tudo o que ela tem para lhes contar.
Com um gesto insinuante, rodopiando o leque, Seong-Ngó aponta para o cimo de uma colina próxima onde o coelho de jade, diante do almofariz, prepara incansavelmente o remédio contra todos os males. É o elixir da imortalidade. A guardiã da Lua parece dizer: “Querem provar? Apressem-se...”
Sábio e imperador descem, em corrida, a escadaria e precipitam-se para a colina. Esquecidos das regras de reverência, nem agradeceram a generosidade do convite.
Antes de alcançarem o coelho, na sua oficina de alquimista, têm de passar por um desfiladeiro obscuro. Cessaram os cânticos de saudação. Sábio e imperador vão sós e estremecem quando lhes chega às narinas um odor áspero de animal feroz, no seu refúgio.
Logo em seguida um rugido e, após este, outro e outro ainda, todos assustadores. Um tigre cinzento e branco assoma ao outro extremo do desfiladeiro. Revira os olhos rancorosos e vai saltar sobre os dois viajantes.

– Fujamos – grita, apavorado, o imperador Meng Uóng. – O teu bordão, onde o deixaste?
– Longe – responde-lhe o sábio, que já corre à frente do príncipe.
Tien-O-tzê, pela primeira e única vez na vida olvidou, naquele transe, as precedências da etiqueta e o comedimento a que a sua provecta idade obrigaria.
Os pés afundam-se no musgo como na neve, o que lhes prejudica o despacho da corrida. Sentem sobre as costas o hálito em fogo do tigre implacável...
– Feche os olhos, Majestade. O sonho mau vai passar.
À voz entrecortada do sábio responde o imperador, aflito:
– E aonde me agarro desta vez?
O sábio, sem parar de correr, grita num assomo de impaciência:
– Agarre-se à minha mão – enquanto lha estende. – Acabo de descobrir a raiz de um raio de luar que nos levará até à Terra.
– Aguentará o nosso peso? – teme o imperador.
O sábio repete, soluçando de cansaço, a máxima de La-Long:
– Queres… que os teus desejos… aconteçam? Fecha… os olhos. Acredite… acredite, Majestade!
Mas o imperador duvida:
– E o tigre? O tigre não virá atrás de nós?
– O tigre não conhece a máxima e não fecha os olhos – exaspera-se Tien-O-Tzê. – O tigre tem medo de cair. Nós não!
De olhos fechados, escorregam pelo raio de luar que se arqueia e alarga até parecer uma estrada de descida suave.
Assim, sem sobressalto, chegam ao jardim imperial. A Lua escondeu-se. Os archotes da varanda ardem, inúteis, à luz da madrugada.
Desde essa noite inesquecível que o imperador Meng Uóng tange o alaúde evocando as melodias que ouviu das selenitas. E entusiasmado pelos bailados e cânticos das fadas lunares criou uma escola, num pavilhão, no meio de um pomar de pereiras. Aí, os jovens do palácio foram industriados na arte de dançar e cantar como os habitantes da Lua.
Assim é justificada a origem do teatro chinês e o nome de lei-un-tchi-tâl, “discípulos do pomar das pêras”, como são designados os seus actores.
Quanto ao bordão de cerejeira que o sábio Tien-O-Tzê plantara na superfície musgosa da Lua, conta a lenda que ganhou ramos, folhas, flores...
Quem quiser ver a cerejeira, que olhe para a lua na noite que precede o décimo quinto dia do oitavo mês lunar, segundo o calendário chinês.
Se não conseguir ver, feche os olhos. No espelho da imaginação tudo acontece como queremos…
António Torrado
A cerejeira da Lua
Instituto Cultural de Macau, Editorial Pública, Lda, 1990

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Definir globalização...




Veio por e-mail...

É a melhor definição que já li e os professores nunca ensinaram...
O QUE É GLOBALIZAÇÃO ? *
Pergunta: Qual é a mais correcta definição de Globalização?
Resposta: A Morte da Princesa Diana..
Pergunta: Por quê?
Resposta:
Uma princesa inglesa com um namorado egípcio, tem um acidente de carro dentro de um túnel francês, num carro alemão com motor holandês, conduzido por um belga, bêbado de whisky escocês, que era seguido por paparazzis italianos, em motos japonesas.
A princesa foi tratada por um médico canadiense, que usou medicamentos brasileiros.
E isto é enviado a você por um português, usando tecnologia americana (Bill Gates), e, provavelmente, você está lendo isso em um computador genérico que usa chips feitos em Taiwan, e um monitor coreano montado por trabalhadores de Bangladesh, numa fábrica de Singapura, transportado em caminhões conduzidos por indianos, roubados por indonésios, descarregados por pescadores sicilianos, reempacotados por mexicanos e, finalmente, vendido a você por chineses, através de uma conexão paraguaia...
Isto é, caros amigos,

*GLOBALIZAÇÃO !!!*

Nota: espero à noite puder, de uma forma global, visitar as vossas xafaricas.

sábado, 24 de Outubro de 2009

Identificação das localidades e outras divagações em viagem...


imagem daqui
Hoje, por questões de trabalho, fui lá para os lados do Cercal do Alentejo. Há anos que não vinha para estas bandas. Lembro-me de parar no Cercal quando ia para Vila Nova de Mil Fontes na "carreira"  -  "expressos" era palavra que não existia, ou raramente, associada a transporte de passageiros - Por norma  a paragem no Cercal era para "chamar pelo Gregório" e acalmar um estômago já entontecido pelas curvas da serra. Só não consigo compreender porque é que, não obstante estarmos quase todos enjoados, se compravam "cavacas", bolo doce e enjoativo. hoje só de pensar...
Voltemos ao fio da meada que já me perdi. Dizia eu que andava em busca do Cercal, saboreando a manhã que mais parecia de Primavera, quando dei por mim a observar as placas de identificação das localidades. Primeiro apercebi-me que do Cercal e Odemira  - caso não soubesse para que lados ficava e não tendo GPS - nem uma placazinha (só mesmo quando já tinha tomado a opção de estrada que lá me levaria). imaginei alguém que ali quisesse ir e não fizesse  a mínima ideia como lá chegar nem que direcção tomar.
Contudo, terei que ser justa e  dizer que o caminho por esse Alentejo estava recheado de placards com cartazes políticos e rostos estranhos - para mim, claro! - de candidatos às diferentes juntas de freguesia. Gostei de um que dizia "Manel à junta de freguesia X, já!". Espero que o Manel tenha sido eleito e que mande retirar os placards e afins... já!
Ainda sobre placas, diverti-me descobrindo o nome das pequenas localidades e imaginando a sua origem, uns mais óbvios que outros: Pouca Farinha; Ademas; Mal Esperançado, Machareira...
A viagem foi feita ao som do novo álbum de Rodrigo Leão "A Mãe".
Apesar da beleza da música, fui desfrutando as cores, os cheiros e os sons que um Alentejo, assim profundo, apenas com velhos a iniciar a sua lida, tem para oferecer. Adorei ouvir o cantar do galo e lembrei-me deste vídeo (já agora sobre o vídeo quero dizer que é uma maldade. Se fosse  galinha deixava de pôr ovos e se fosse o galo fazia voto de silêncio. quem é que pode andar com bom humor?).
De regresso vim por V. N. Mil Fontes e, muito embora tenha chegado a casa sem "cavacas" do Cercal,  a verdade é que desta vez também não parei para chamar pelo Gregório...mas vim mais "rica"!

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Às vezes...



Quando Eu For Grande 
(Carta aos Meus Netos)

Quando eu for grande quero ser
Um bichinho pequenino
P´ra me poder aquecer
Na mão de qualquer menino
Quando eu for grande quero ser
Mais pequeno que uma noz
P´ra tudo o que eu sou caber
Na mão de qualquer de vós
Quando eu for grande quero ser
Uma laje de granito
Tudo em mim se pode erguer
Quando me pisam não grito
Quando eu for grande quero ser
Uma pedra do asfalto
O que lá estou a fazer
Só se nota quando falto
Quando eu for grande quero ser
Ponte de uma a outra margem
Para unir sem escolher
E servir só de passagem
Quando eu for grande quero ser
Como o rio dessa ponte
Nunca parar de correr
Sem nunca esquecer a fonte
Quando eu for grande quero ser
Um bichinho pequenino
Quando eu for grande quero ser
Mais pequeno que uma noz
Quando eu for grande quero ser
Uma laje de granito
Quando eu for grande quero ser
Uma pedra do asfalto
Quando eu for grande...
Quando eu for grande...
Quando eu for grande quero ter
O tamanho que não tenho
P´ra nunca deixar de ser
Do meu exacto tamanho

(José Mário Branco)

sábado, 17 de Outubro de 2009

As Luzes Brancas de Paris ou o essencial da vida de cada um


As Luzes Brancas de Paris
Sinopse:
"Os ventos da história, a força do amor. Xénia era ainda uma criança quando assistiu à morte do pai, um aristocrata russo. Obrigada ao exílio faz-se mulher pela dureza das circunstâncias, exilando-se em Paris com os irmãos. Na capital francesa cruza-se com um jovem e talentoso artista alemão. Enquanto ela tenta vingar no mundo da moda parisiense, Max assiste impotente à ascensão de Hitler ao poder. Entre guerras e revoluções a sua história de amor parece condenada. Ou será que mesmo em tempos de guerra se podem viver uma grande história de amor? Um apaixonante romance histórico a fazer-nos viajar aos loucos anos 20/30, num envolvente fresco de época.


Xénia Ossoline era uma linda e mimada menina russa. Com o eclodir dos primeiros tumultos da Revolução, o seu pai é assassinada e Xénia obrigada a fugir com os irmãos para Paris. Dos sangrentos dias vividos em São Petersburgo aos loucos anos 20 em Paris, Xénia faz-se uma mulher forte e decidida, mas não preparada para amar. Quando conhece Max, um artista alemão que acabará por ver todos os seus amigos destruídos pelos nazis, Xénia não estava preparada para se deixar levar por esse amor que a arrebatava (e assustava). Poderá a sua história de amor sobreviver a tão conturbados dias?


Seguindo o percurso de Xénia e Max conhecemos (do lado de dentro) os conflitos que marcaram a história da Europa. Um poderoso romance a lembrar clássicos como «E Tudo o Vento Levou».

In círculo de Leitores
Este foi o último livro que li. Belo, interessante, envolvente. Comprei-o na dúvida sem saber se valeria  a pena. Passado meia dúzia de páginas já estava presa às personagens e à sua história.
"O amor de um homem é algo de magnífico e de aterrador ao mesmo tempo, pois traz consigo a aspereza da esperança, as dores da infância, o fardo de um passado, as\traições e os sonhos não satisfeitos, e todas as miragens, as auroras esperadas, as certezas. Já não é o corpo que se desnuda mas a alma que se despoja. Dispensar amor é um acto de fé, aceitá-lo é um acto de coragem, pois obriga-nos a renunciar a uma parte de nós e a consentir em baixar a guarda a fim deixar vir a nós o que nos é alheio, mesmo quando julgamos reconhecer-nos. (...)";

"(...)E a amargura crescera dentro dele, bem como a raiva. Com o decorrer dos meses tornara-se mais compenetrado. Começara a ler muito, procurando compreender o que lhes acontecera e como haviam chegado ao ponto de se ignorarem, como se a explicação se encontrasse nas linhas de um livro. Na sua solidão, aprendera que a dor acutila como a lâmina de uma espada, que quando não enlouquece nos torna mais humildes."

" A poucas dezenas de quilómetros, os veículos do exército britânico progrediam com determinação. os ingleses tinham pressa de chegar a Berlim ao mesmo tempo que os russos.Vinham pois ao seu encontro, mas Max ainda ignorava que iria ser salvo, retomar não só a liberdade mas também o caminho para Paris.(...) Neste caminho de dor do seu país devastado, com a alma presa ao corpo, transportado pela recordação dos companheiros que haviam dado a vid apela honra da pátria, transportado pela fé e pelo amor inalterável que sentia por uma mulher encontrada por acaso numa noite de primavera num café parisiense, há alguns anos atrás, há séculos."
Excertos de As luzes brancas de Paris



quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Oferta clínica...

Em Portugal, nem  o hospital da Cuf...



terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Sem palavras...

Deixo aqui o testemunho de uma amiga:




A Maria era uma Gatinha Feliz!
Tinha uns lindos olhos azuis que pareciam “falar”…Gostava de se sentar nos parapeitos das janelas, mas a preferida era a que dá para o quintal… dali via o Pongo, o Dálmata que partilha a amizade da família.




A Maria agora é uma Gatinha Triste!
Porque um acto cruel de alguém (animal racional???) lhe tirou um dos olhos.
Com que finalidade atiram sem dó nem piedade sobre animais indefesos?
O que pretendem?
A foto testemunha que existem pessoas horríveis sem cérebro…  

SEM PALAVRAS!!!!